CEIs da UNAS tratam bebês como sujeitos de direitos em Heliópolis
Rede de centros de educação infantil sob gestão da entidade adota abordagem em que cuidar e educar caminham juntos desde os primeiros meses de vida
Nos centros de educação infantil (CEIs) administrados pela UNAS em Heliópolis, a rotina de bebês e crianças pequenas parte de uma premissa: cada uma delas é uma pessoa com voz, curiosidade e direitos próprios desde os primeiros meses de vida. A concepção pedagógica, apresentada pela entidade nesta semana, orienta o trabalho diário das unidades que atendem famílias da favela e do entorno do Ipiranga.
Segundo a UNAS, falar de primeira infância é falar do presente — e não apenas de um preparo para o futuro. A proposta reconhece meninos e meninas como sujeitos capazes de produzir cultura, construir conhecimento e criar suas próprias formas de entender o mundo e de se relacionar com as pessoas ao redor.
Cuidar e educar como ações inseparáveis
No cotidiano dos CEIs, acolhimento, escuta, brincadeira e descobertas são tratados como parte de um mesmo processo. Para a organização, cuidar e educar não são etapas separadas: a criança que é ninada, alimentada e ouvida também está aprendendo, e o respeito à singularidade de cada uma é o ponto de partida do trabalho dos educadores.
A abordagem valoriza o protagonismo infantil — ou seja, dar às crianças espaço para explorar, escolher e se expressar dentro de uma rotina pensada para a faixa etária. É uma orientação que, na prática, define desde a organização dos espaços das salas até a forma como as equipes recebem cada família no território.
Uma rede que atende milhares de crianças
A concepção pedagógica se aplica à rede de CEIs mantida pela UNAS em convênio com a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Educação. A entidade administra 17 centros de educação infantil em Heliópolis, que juntos atendem mais de 2.500 crianças da comunidade.
Para as famílias de Helipa, o tema é concreto: são essas unidades que garantem vaga, alimentação e acompanhamento para os filhos enquanto pais e mães trabalham. A forma como cada CEI encara o bebê — como alguém a ser cuidado ou também como alguém a ser ouvido — se reflete no dia a dia dessas milhares de crianças da maior favela de São Paulo.