O projeto "Violência Aqui Não Entra Não", conduzido pela UNAS (União de Núcleos, Associações de Moradores de Heliópolis e Região), completa dez anos de atuação em Heliópolis e nos bairros do entorno, na região da Subprefeitura do Ipiranga, zona sul da cidade de São Paulo. Segundo balanço divulgado pela organização, a década de trabalho deixa como legado um conjunto de metodologias, materiais de apoio e experiências acumuladas na defesa de crianças, adolescentes e suas famílias.

Para o morador do território, o ponto central é que a iniciativa se desenvolveu dentro da própria comunidade — nos espaços coletivos onde as famílias de Heliópolis já circulam —, e não como um serviço distante ou pontual. Ao longo dos dez anos, o projeto se somou à rede de proteção que atende a favela e as áreas vizinhas.

O que o projeto propõe

A UNAS explica que a proteção de crianças e adolescentes não se resolve apenas com o atendimento de casos já instalados. Passa também pela criação de ambientes em que meninos e meninas consigam:

  • conhecer quais são os seus direitos;
  • construir vínculos de confiança com adultos e educadores;
  • identificar a quem recorrer quando vivem ou presenciam uma situação de violência.

Essa lógica — informar antes, acolher depois — é descrita pela entidade como um eixo que atravessa o conjunto do seu trabalho na região, e não uma ação isolada de um único programa.

Uma década de acúmulo

O aniversário de dez anos é apresentado pela organização menos como uma data comemorativa e mais como um marco de consolidação: o material produzido ao longo do período passa a funcionar como referência para a continuidade da rede de proteção local, que envolve serviços socioassistenciais, escolas e equipamentos públicos que atendem Heliópolis, Sacomã, Cursino e Ipiranga.

A UNAS é a principal organização comunitária de Heliópolis, favela com cerca de 200 mil moradores, e mantém na região projetos voltados a crianças, adolescentes, jovens e famílias — entre eles ações de arte-educação, formação e atividades culturais já noticiadas pelo portal.

Onde buscar ajuda

Situações de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciadas, de forma anônima e gratuita, pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos), que funciona 24 horas por dia, todos os dias. Em casos de emergência ou risco imediato, o contato é a Polícia Militar, pelo 190. As famílias do território também podem procurar o Conselho Tutelar da região do Ipiranga e as unidades de saúde, escolas e serviços de assistência social que atendem Heliópolis, que são portas de entrada da rede de proteção.