Heliópolis é até 15°C mais quente que outros bairros de SP
Estudo citado pela UNAS relaciona a diferença de temperatura à pouca arborização e ao excesso de asfalto na maior favela da capital
Quem mora em Heliópolis já sabe o que o termômetro agora confirma: a favela é bem mais quente que o resto da cidade. Um estudo divulgado pela UNAS (União de Núcleos, Associações de Moradores de Heliópolis e Região) aponta diferença de até 15°C entre as temperaturas registradas na maior favela de São Paulo e outros bairros da capital. A explicação, segundo o levantamento, está na combinação de pouca cobertura de árvores, muita superfície de asfalto e concreto e ruas estreitas, onde o calor fica retido ao longo do dia.
A frase que dá título ao material da UNAS — "é muito asfalto e pouca árvore" — resume a leitura que moradores fazem do próprio território. Em vielas onde as casas se encostam umas nas outras e a laje é o único quintal, não há sombra para atravessar o dia nem solo livre para absorver a água da chuva.
Um milhão de metros quadrados sem sombra
Heliópolis ocupa cerca de um milhão de metros quadrados no Sacomã, na área da Subprefeitura do Ipiranga, e reúne aproximadamente 200 mil moradores. A ocupação começou no início dos anos 1970, quando a Prefeitura de São Paulo removeu 153 famílias das favelas da Vila Prudente e da Vergueiro para viabilizar obras públicas e as transferiu para alojamentos apresentados como provisórios. O provisório virou permanente, e o adensamento avançou por décadas sem que a arborização acompanhasse.
É esse histórico que ajuda a entender o dado térmico. Bairros com ruas arborizadas, praças e quintais registram temperaturas mais baixas porque as árvores fazem sombra e liberam umidade. Onde predominam telhado, laje e asfalto, o calor é absorvido durante o dia e devolvido à noite — o fenômeno conhecido como ilha de calor urbana, que na capital paulista se distribui de forma desigual entre as regiões.
O que o calor extremo muda na rotina do território
A diferença de temperatura não é apenas desconforto. Em períodos de calor intenso, moradores relatam noites mal dormidas, contas de energia mais altas com ventilador e ar-condicionado e agravamento de quadros respiratórios e de pressão, especialmente entre crianças e idosos. O problema se soma a outras vulnerabilidades já registradas na favela, como a interrupção no abastecimento de água que deixou parte de Heliópolis cinco dias sem torneira entre o fim de agosto e o início de setembro.
O que ainda não está definido
O material divulgado pela UNAS não detalha qual instituição conduziu a medição, em que período os dados foram coletados nem quais bairros de São Paulo serviram de comparação para a diferença de 15°C. Também não há, até o momento, anúncio de um plano específico de arborização ou de enfrentamento do calor para Heliópolis por parte da Prefeitura de São Paulo ou da Subprefeitura do Ipiranga.
Moradores que queiram solicitar plantio de árvores, poda ou manutenção de áreas verdes podem registrar o pedido no canal 156 da Prefeitura de São Paulo, informando o endereço exato. Demandas coletivas do território também podem ser levadas ao Conselho Participativo Municipal do Ipiranga, que representa Heliópolis, Sacomã e Cursino junto ao poder público.
Com informações do blog da UNAS Heliópolis.