Heliópolis realiza 28ª Caminhada pela Paz em memória de Leonarda
Mobilização que nasceu nos anos 1990, após a morte da estudante da EMEF Campos Salles, reuniu moradores, educadores e lideranças pelas vielas do território
As ruas e vielas de Heliópolis foram tomadas na manhã de sexta-feira (19) pela 28ª edição da Caminhada pela Paz, uma das mobilizações mais antigas da comunidade. Moradores, estudantes, educadores, lideranças comunitárias e organizações sociais caminharam juntos pelo território, na maior favela da zona sul de São Paulo, para reafirmar o compromisso coletivo com a vida, a memória e a justiça.
Uma caminhada que nasceu da dor
O ato tem origem em meados da década de 1990, quando a comunidade foi abalada pela morte de Leonarda, estudante da EMEF Campos Salles. A partir daquele episódio de violência, educadores, movimentos sociais e moradores decidiram que a história não seria esquecida. Do luto surgiu um compromisso comum: defender a vida e construir caminhos de paz dentro do território.
Desde então, a caminhada se repete a cada ano e reúne diferentes gerações em torno do mesmo propósito. Mais do que rememorar, a mobilização mantém viva a cobrança por justiça e denuncia as formas de violência que ainda atingem mulheres, crianças, jovens e as periferias.
Memória como resistência
Para as lideranças que organizam o ato, ocupar as ruas é uma forma de mostrar que a paz não se constrói no silêncio, mas na presença e na participação popular. Ao longo das 28 edições, o nome de Leonarda deixou de ser apenas uma lembrança individual e passou a integrar uma luta coletiva que atravessa gerações na comunidade.
A caminhada percorre as escolas, as vielas e as ruas de Heliópolis, envolvendo diretamente as instituições de ensino do território — como a própria EMEF Campos Salles, referência educacional da favela. A mensagem que se repete a cada edição é a de que nenhuma vida deve ser esquecida e que toda violência precisa ser enfrentada com memória, consciência e ação.